Conecte-se Conosco
 

Sem Vergonha

Será que eu já gozei?

Publicado

em

Entenda como uma mulher pode saber se já chegou ao orgasmo e por que não deve se cobrar em relação a isso

Fernanda Cassim
“E aí, gozou?”. Essa é uma das perguntas que costumamos ouvir depois de iniciarmos nossa vida sexual. Gozar, nesse contexto, é o mesmo que atingir um orgasmo, o que muitas vezes é visto como o objetivo final de uma relação sexual. A maior diferença entre um orgasmo masculino e um orgasmo feminino é a ejaculação. Os homens, quando gozam, cumprem também uma função procriadora, pois liberam o sêmen, um fluido esbranquiçado que carrega milhões de espermatozoides buscando um óvulo para a reprodução. O orgasmo feminino, por sua vez, não tem função reprodutiva e seus sinais são bem mais sutis do que uma ejaculação.

É verdade que algumas mulheres ejaculam?

Não. Na verdade, o que pode ocorrer é um Squirting: a liberação de um líquido derivado do estímulo às glândulas de skene. Essas glândulas ficam pertinho do nosso aparelho urinário e, quando estimuladas, podem produzir um líquido transparente, muitas vezes com pequenas quantidades de urina. Mas o Squirting não é tão comum entre as mulheres, pois ele depende da anatomia de cada uma, do acesso a essas glândulas e do estado de excitação. Além disso, um orgasmo pode vir acompanhado desse “jato” ou não e isso não tem nada a ver com a intensidade ou qualidade do orgasmo.

Se não há ejaculação, podemos confundir orgasmo com excitação!

Como o orgasmo é o ápice do prazer, muitas mulheres confundem o ato de gozar com um momento de prazer muito intenso. A resposta sexual feminina é muito mais complexa que a masculina e, durante uma relação sexual, podemos ter picos mais ou menos intensos de excitação, e então há a confusão sobre o orgasmo ter chegado ou não. Uma pesquisa divulgada no documentário “Fundamentos do prazer”, produzido pela Netflix, demonstra que, enquanto apenas 8% dos homens se equivocam ao identificar se gozaram; cerca de 50% das mulheres ficam confusas se chegaram lá ou não. Ou seja: metade das mulheres que participaram da pesquisa estavam enganadas sobre o próprio orgasmo, e esse é um número muito alto! Tal dado nos revela o quanto ainda estamos distantes sobre o conhecimento de nosso próprio corpo.

Então como saber se tive um orgasmo ou não?

Durante um orgasmo, os músculos que contornam a vagina e o períneo se contraem ritmicamente, em intervalos de menos de 1 segundo. Essas contrações são sentidas intensamente por todo o corpo, os mamilos ficam eriçados, o fluxo sanguíneo aumenta, assim como os batimentos cardíacos. Mas é claro que na hora H não tem como medir todas essas variantes… Falando em sensações e efeitos psíquicos, cada pessoa pode passar por essa experiência de uma forma, mas a maioria das mulheres relatam sentir que “a alma saiu do corpo”, o ápice da excitação que não se pode mais controlar. Muitas pessoas, inclusive, têm dificuldade em atingir o orgasmo por serem muito controladoras consigo mesmas e com a situação. Para gozar, é preciso estar totalmente entregue ao prazer, sem medo. Jacques Lacan, famoso psicanalista francês, chamou o orgasmo de “La petite mort” (A pequena morte), justamente por essa característica de perder o controle do corpo, como se fôssemos “morrer de tesão”. Depois disso, inclusive, sentimos grande sensação de cansaço e relaxamento e ficamos “moles”. A parte mais interessante do orgasmo feminino é que esse relaxamento não precisa ser prolongado para uma nova relação, como nos homens. A maioria deles, depois de ejacular, precisa de minutos, ou até horas, para se recuperar e conseguir uma nova ereção. O orgasmo feminino, por sua vez, pode ser múltiplo: isso significa que alguns segundos depois de gozar, se continuar sendo estimulada, você poderá ter outro, e outro, e outro, e outro… até a total exaustão! A sensação de um orgasmo é tão intensa que podemos dizer que, se há dúvidas de ele ter acontecido, é porque não ocorreu, pois é uma experiência única e muito marcante.

Você pode chegar lá, mas não faça disso uma cobrança!

Infelizmente, muitas mulheres carregam diversos tabus que as impedem de gozar livremente. Mas todas somos capazes de chegar lá! A vulva é um aparelho complexo e a fonte do nosso prazer está no clitóris. Cuidar da saúde íntima, abrir a mente para a sexualidade, amar o próprio corpo e ter a possibilidade de se conhecer, de se tocar e de se masturbar é a melhor forma de encontrar o caminho para essa sensação única e extremamente prazerosa, que é direito de toda mulher. Se você tem dúvida sobre isso, é sinal de que pode ter vivências mais intensas e prazerosas, porém se cobrar sobre ter um orgasmo é a pior forma de chegar lá. Quando nos pressionamos a fazer algo, tudo fica mais difícil e ficamos ainda mais frustradas no caso de não conseguirmos. No final das contas, o que vale é sentir prazer, se amar e se divertir. Por isso, deixe a mente livre para explorar seu próprio corpo e não se cobre tanto. E então, quando menos você esperar, poderá sentir a explosão de ter gozado!

Fernanda Cassim

Sexóloga e psicanalista, graduada em Psicologia e em Letras, com Mestrado e Doutorado em Linguística e Pós-Graduada em Sexualidade Humana. Dedica sua carreira à educação sexual, empoderando mulheres para desejar e viver com mais prazer e menos tabus. É idealizadora do Podcast Vulvas no Divã, ama comunicação, viagens, linguagens, esportes e artes.


Descubra mais sobre TV Criar Entretenimento

Assine para receber os posts mais recentes por e-mail.

Continue Lendo

Descubra mais sobre TV Criar Entretenimento

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Iniciar Conversa
Oi, Sejam bem vindo(a) a nossa TV!
Olááá! Obrigado por assistir a TV CRIAR !!!